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O assunto natureza é atávico em mim. No meu sangue correm rios da Amazônia, de onde veio meu pai. Fui criada amando, reverenciando e respeitando a natureza. Ele dizia à nossa família: “fechem as torneiras, desliguem as luzes e todos os aparelhos elétricos da tomada todas as noites, antes de dormir. Um dia, vamos precisar de recursos naturais, e eles vão estar escassos”. Isto, desde os anos 50! A maior paixão de minha vida é a cultura indígena. Acho que eles são muito mais evoluídos que nós, e para saber é só convivendo com eles, ou ler bastante sobre o assunto. Sabem tudo sobre Ecologia, naturalmente. Iniciei o interesse por esta cultura em 1967, e sempre estive divulgando-a através da arte. Nos estúdios fotográficos e meios sociais fui ridicularizada por isto. Os índios não estavam na moda. Era o inicio de seus pedidos para que ajudássemos a proteger suas terras, que estavam sendo invadidas por garimpeiros ou começavam a ser queimadas pelos fazendeiros para por o gado, o que se faz até hoje. Fui ativista ao longo de toda minha vida, aqui e nos Estados Unidos. No início da minha adolescência, fazia atividades só para a proteção dos índios, levando-os em escolas. Fomos convidados a se retirar da Universidade PUC do Rio, no inicio dos anos 70. Hoje é tudo diferente. Vejo consciência, mas não vejo melhora. Logo depois abracei a defesa à natureza, pois eles precisam dela. Assim como nós e toda a vida na Terra. Na sequência de conscientizar o Brasil para a questão indígena, subi as favelas do Rio e acabei me dedicando a dar uma meta de vida às crianças de classe pobres, educando-as, para conhecer, amar e proteger a natureza do Brasil (ver SOCIAL). É só isto. Foi toda minha vida.
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