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"Revolução"
Canção para não dormir ---------------------------------------------------------------------------------------- “BRita BRazil faz poemas como se fazê-los fosse fácil, como quem tira da terra, cavando com as mãos cada um de seus versos. A natureza está nos seus olhos, nas suas mãos e, como é lógico, na sua vida. A diferença é que ela a utiliza como se fosse ela a única proprietária de tudo de lindo que nos cerca. Mas age com tanta naturalidade que nem dá na gente direito ou vontade de reclamar...” Chico Anysio
NATAL - MUITO PRAZER - O TEMPO - DISPAREI BRIGITTE - ABAIXO - FÉLIX, O GATO - O ESVANECER DA VIDA TRANSMISSÃO - SER MÃE - AMIGO
NATAL Não me fale em NATAL. Meu Jesus, eu conheci de perto: convivi aprendi e absorvi. Ele é real. Nasceu em Belem do Pará a zero hora do dia 25 de dezembro Portanto, não há mais NATAL, seu dono o levou. To zerada. Só existe o amor, o sorriso e a flor. o resto, micou.
MUITO PRAZER Não sou isto, nem aquilo, nem assim, nem assado.
Não sou Márcia, não sou
BRita, não sou moda, nem mulher. Você vai se cansar, pra me entender. Sou uma atriz q dança Uma bailarina q canta Uma cantora que atua. Na verdade, só uma poeta q vive.
O TEMPO NÃO EXISTE O dia nasce, a planta cresce, o galo canta, a vida passa. Mas o tempo, não existe. As nuvens andam, o Sol se põe, a chuva cessa, a vida apressa. Mas o tempo, não existe. A pele muda, o corpo sente, mas o beijo fala que estou presente. Então o tempo, não existe. Agora entendo, realmente, que a vida, é o momento.
DISPAREI Será o Homem contrario à Natureza? Ele não se adéqua, não se adapta, não se integra, não se entrega. Será que somos realmente da Terra, ou viemos do espaço para destruí-la? Claro, aí está o elo perdido: então somos nossos próprios alienígenas. Se para pisar neste solo temos que asfaltá-lo, afastá-lo, por cimento no chão, tampar sua respiração, calar sua pulsação. E isto é chamam de progresso, e até de evolução!
Por que ainda hidroelétricas, se já temos a solar? Por que cortar as árvores, para nos colocar? Somos menos pássaros, menos cheiros, menos verde. Somos aço, somos ferro, somos prédios juntos, grudados Somos conjugados, isolados, corredores, elevadores Somos postes, somos fios de alta tensão Somos muros, arames farpados Somos carros, somos caros coisas fúteis, inúteis somos lixos, desperdícios. Somos a consequência de um raciocínio ilógico. Somos a propaganda enganosa, omissão às crianças, vendendo à elas o dano à Terra, em seus objetos de diversão. A Economia gasta fortunas em sonhos fantásticos, vendendo ilusão. Cadê o projeto pro mundo? Ele é privado, comprado, corrompido, isolado, exaurido. Os Governos trabalham para poucos. Somos empresas, somos números de identificação Protocolados. Sem registro, não se é cidadão. Prisão. Somos coisas, somos datas, somos o Homem, que ainda está por vir. Mas pra ele existir, vai depender de uma milagrosa transformação. E de muita ação.
Brigitte La Madrague, Saint Tropez eu modelo, ela atriz mulher feminina, menina sozinha
A cobrança a invadia pelo mar, por terra, por todo lugar
Como se defender? Em quem acreditar? Nos animais, amor e carinho. Ninny, Pichnoux, suas cadelas queridas suas melhores amigas
Nem mesmo a beleza, a fama, e o poder me impediram de perceber que por trás daquela imagem habita um tão puro Ser
ABAIXO A hipocrisia A pedofilia A maldade fria
Abaixo o desrespeito pelos Deuses que chegaram primeiro ao massacre à cultura indígena, que é pura poesia. Cadê a mitologia africana arrancada de nós?
Abomino a colonização O tesouro em ouro, até agora roubado E o povo calado
ESPÍRITO É AR, EM LATIM. Não precisamos de dogmas pra existir. Somos o que fazemos Não o que dizemos
Como é fácil conquistar um povo carente onde a ajuda política é ausente. Só mesmo o carnaval para fazer parecer tudo normal.
FÉLIX, o gato Félix me ensinou a ser discreta, ser sincera, ser selvagem. Ser verdadeira, de verdade
Ele me ensinou a me calar na hora certa a ser esperta no meu reflexo, a ser inteira
Ele me vasculhou por dentro, me renovou. Filosofias se foram. Ele me refrescou o pensamento e agora, sou só momento.
O ESVANECER DA VIDA (à minha mãe Hilda Brito) Vejo a vida escorregar das minhas mãos como é duro o tempo, é limitação, dói demais ao coração. Camisa de força para meus sentimentos, estou louca, por compaixão.
Eu falo, repito, falo de novo, torno a repetir. Só depois ele ouve, pegou a trilha da solidão embarcou na doença da mente, está ausente. Abstração.
Neurônios? Então somos neurônios? Então por que somos, se a vida parte tão cedo, de forma errada, e sem razão? Pra que coração, se não podemos usá-lo em sua total dimensão? Agora, eu vi o tempo realmente passar. Não adianta oração.
Quero morrer, pra não sentir mais a dor do mundo, morrer de amor profundo, dentro de mim. A idade transforma a vida em saudade. Não quero mais explicação.
TRANS-MISSÃO Vou morrer de tristeza, de agonia, vou morrer queimada, no ninho da floresta sofrida. Vou morrer no morro, pobre, preta e esquecida, vou morrer no asfalto, de bala perdida.
Vou morrer na fila, na porta da farmácia, à noite ou da Igreja, de dia. Vou morrer na pedreira, tirando ouro a vida inteira.
Vou morrer de vontade, de desgosto, de saudade vou morrer isolada, muda, calada vou morrer sufocada afogada nas lágrimas vou morrer de amor.
Sou simples, sou normal atriz que canaliza a vida só sinto tudo, dentro de mim
Sou médium, aparelho, espelho vou morrer de morte natural, num hospital ou de coração? Sei não.
SER MÃE Ser mãe é deixar a Natureza explodir dentro de você, pra sair um ser.
E cuidá-lo pro mundo, sem julgamento. E estar por perto a qualquer momento.
AMIGO
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