Em 2003 produzindo um documentário sobre choro, para uma equipe americana, fui parar na favela de Pequerí, em Brás de Pina, ao lado da Penha. Lá, enquanto filmávamos, um garotinho chamado Márcio achou engraçado falarmos inglês. Sentei na calçada e comecei ensiná-lo algumas palavras. Algumas crianças chegaram, e ali mesmo decidi começar dar aulas de inglês. Como não tínhamos espaço, usávamos um terraço. Como não tínhamos cadeiras, e as crianças não paravam quietas, fui criando a aula de INGLÊS EM MOVIMENTO, onde aprendiam brincando. Começava por aulas de meditação na abertura, e tentava através dessas aulas, conversar sobre valores que aprendi em casa e pela vida, e ampliar as possibilidades de novas idéias de amor e respeito entre nós e para todos seus amigos, lá fora. Conceitos de ética, de valorização de todas as raças, uma boa dose de auto-estima e proteção à natureza. Também conversava sobre preconceito, soluções para se libertarem das programações impostas pelo sistema, e de ousarem sonhos e ações. Nunca era em tom sério, resolvia mais no lúdico. Aos poucos fui percebendo que elas tinham várias necessidades. Aliás, a maioria delas nunca tinha sequer saído daquele morro. Isto acontece com as 900 comunidades do Rio, é um absurdo! Então as levamos em diversos peças teatrais, cinema, Parque Laje e Ary barroso, Corcovado, INTRÉPIDA TRUPE, praias, gravaram 3 programas da Xuxa, Cidade das Crianças, festas juninas, conheceram o Vôo livre, Forte Copacabana, etc. e tal. Isto durou 6 anos.
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